quinta-feira, 1 de março de 2012

ONU espera que Coreia do Norte proíba testes nucleares

Diálogo com os EUA foi o primeiro desde que Kim Jong-un assumiu o lugar do pai, Kim Jong-Il

A Organização Preparatória para o Tratado de Proibição de Testes Nucleares (CTBTO), das Nações Unidas, mostrou-se esperançosa depois do anúncio da Coreia do Norte de interromper seu programa nuclear a partir de um acordo com os Estados Unidos. Tibor Toth, secretário-executivo da Comissão, disse em comunicado emitido em Viena que celebra o fato de Pyongyang ter aceitado suspender seus testes nucleares, o que classificou como "um passo correto na direção adequada".
"Minha sincera esperança é que esse passo conduza depois à assinatura e ratificação do Tratado de Proibição de Testes (nucleares) por parte da Coreia do Norte", acrescentou o ex-diplomata húngaro. O Tratado de Proibição de Testes Nucleares ainda não entrou em vigor. Para que isso aconteça, precisa ser ratificado pelos 44 países com programas nucleares relevantes. Ainda não validaram o pacto Estados Unidos, China, Índia, Israel, Paquistão, Egito, Irã e Coreia do Norte.
Toth expressou nesta quarta-feira sua esperança de que a ratificação norte-coreana "leve à entrada em vigor mais adiantada do tratado, junto com as outras sete ratificações pendentes". A Coreia do Norte foi o último país a realizar testes nucleares, em 2006 e 2009. As experiências foram detectadas pelo sistema de vigilância do CTBTO, que conta com uma rede de 300 estações de medição de tipos diferentes espalhadas por todo o planeta. Acredita-se que oregime comandado por Kim Jong-un tenha plutônio em quantidade suficiente para produzir de seis a oito armas nucleares.
AP
Central nuclear norte-coreana Yongbyon
Acordo - Nesta quarta-feira, o país aceitou suspender seus testes nucleares, assim como os lançamentos de mísseis e o enriquecimento de combustível nuclear, em troca de uma ajuda alimentar americana. O acordo com Washington, confirmado pelos Estados Unidos, representa um possível avanço nas tentativas de impedir que a Coreia do Norte prossiga com o seu programa de fabricação de armas nucleares depois da morte do ditador Kim Jong-Il, em dezembro.
O acordo foi firmado após diálogos bilaterais, que aconteceram na semana passada em Pequim - as primeiras negociações desde que Kim Jong-un assumiu a liderança do país. Segundo Pyongyang, Washington prometeu fornecer 240.000 toneladas de "ajuda alimentar". Os norte-coreanos permitirão monitoramento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organismo de controle da ONU, que, por sua vez, classificou o anúncio como um passo importante.
Por sua vez, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, foi cautelosa ao elogiar a decisão norte-coreana. "O anúncio representa um modesto primeiro passo na direção correta", declarou Clinton aos deputados americanos. "Por enquanto, vamos observar o novo governo da Coreia do Norte por suas ações", acrescentou.

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