domingo, 6 de novembro de 2011

Crise do Euro Milhares de italianos pedem a renúncia de Silvio Berlusconi

População e deputados retiram apoio do primeiro-ministro. Ele tem 72 horas para comprovar ter maioria na Câmara e garantir permanência no governo

Manifestantes protestam contra Berlusconi neste sábado
Manifestantes protestam contra Berlusconi neste sábado (Andreas Solaro/AFP)
Milhares de italianos, convocados pelo Partido Democrata, principal força da oposição de esquerda, se manifestaram neste sábado em Roma sob o lema "a Constituição italiana, a mais bela do mundo" para pedir a renúncia do chefe de governo Silvio Berlusconi. "Silvio, vá embora!", ou "Quanto antes o colocarmos na porta, melhor será" foram alguns dos cartazes exibidos pelos manifestantes, que se reuniram em frente a um palco decorado com as cores da bandeira italiana, verde, branco e vermelho. Os slogans mais repetidos pelos manifestantes foram os de "vergonha" e "renúncia".
 
Muitos dos cartazes exibidos reagiram também às declarações feitas por Berlusconi na véspera, em Cannes, durante a cúpula do G20, nas quais o presidente italiano afirmou que a crise em seu país "não é forte" porque "todos os restaurantes e os aviões estão cheios". "Eu vou ao restaurante, mas para lavar os pratos", dizia um dos cartazes.
 
Berlusconi reagiu aos protestos e a perda de apoio na Câmara. "Lamento decepcionar os nostálgicos da Primeira República, quando os governos duravam em média onze meses", disse o premiê. "O sentido de responsabilidade nos impõe, assim como ao governo, continuar a batalha de civilização que travamos em um momento difícil da crise."
 
Sem apoio - E não só a população está irritada com Berlusconi. O premiê foi informado nesta sexta-feira à noite, após voltar da França não tem mais apoio da maioria na Câmara dos Deputados. Segundo a imprensa italiana, o secretário-geral do partido governista Povo da Liberdade (PdL), Angelino Alfano, o coordenador nacional do partido, Denis Verdini, e o subsecretário da Presidência do Governo, Gianni Letta, foram durante a noite à residência romana de Berlusconi para indicar que os deputados da coalizão governamental se reduziram a 306. Esse número não bastaria para conseguir aprovar, na próxima terça-feira, na Câmara dos Deputados o novo texto sobre as contas do estado de 2010.
 
Berlusconi pediu 72 horas para comprovar se conta com o número de deputados favoráveis para seguir governando e, em caso negativo, buscar novos aliados, embora durante a Cúpula do G20 tenha reiterado que tinha a maioria e que seu governo não cairia. Enquanto estava em Cannes, Berlusconi perdeu o apoio de dois deputados aliados: Alessio Bonciani e Ida D'Ippolito, que passaram a fazer parte do grupo da União de Democratas-Cristãos de Centro (UDC). A eles se soma o deputado Roberto Antonione, que anunciou sua intenção de deixar o PdL.
 

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