Parecia impossível. Mas o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, conseguiu se enrolar ainda mais. O mais novo escândalo terminou com a queda do diretor da Polícia Civil, Onofre de Moraes. A demissão foi anunciada na tarde desta quinta-feira. Em imagens divulgadas na internet, Moraes aparece fazendo declarações que comprometem o governador. O vídeo foi divulgado pelo jornalista Edson Sombra - o mais próximo aliado de Durval Barbosa, que delatou o esquema de corrupção nas gestões de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda.Assista aos principais trechos da fala de Moraes.
“Quando o seu governador [Agnelo Queiroz] estiver saindo num camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado eu só vou falar: ‘Pega a diretora para tirar ele [da cadeia]’”, afirma o delegado Onofre de Moraes a Sombra, diante de três testemunhas. O vídeo foi feito em junho, antes que Onofre assumisse o comando da Polícia Civil. Na época, ele criticava a então ocupante do cargo, Mailine Alvarenga.
Em outro trecho, Onofre afirma que a lista de denúncias contra Agnelo vai motivar a renúncia do governador: "Vai um bandido preso na DP e diz: ‘Aquele delegado é um corrupto porque me tomou isso e me tomou aquilo’. Aí o juiz, primeiro, não vai acreditar. Aí vem o segundo bandido, o terceiro. Aí o juiz vai dizer: ‘Ele é bandido mesmo’. É o que vai acontecer com o Agnelo. Vem o primeiro processo, Polícia Federal, Ministério Público, um processo, outro, outro. Sabe o fim dele qual é? Renúncia". As afirmações dão força à tese de que a nomeação de Onofre para o comando da Polícia Civil, em novembro, foi uma espécie de cala-boca para o delegado.
Cooptação - A nova briga teve início quando VEJA mostrou, na edição desta semana, que Agnelo havia tido acesso privilegiado ao material da operação Caixa de Pandora, que levou Arruda à prisão e facilitou a eleição do petista em 2010. Durval acusa Onofre de tentar comprar o silêncio de Edson Sombra com 150 000 reais.
Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o diretor da Polícia Civil atacou duramente Sombra e negou as afirmações. O jornalista não deixou por menos: divulgou um vídeo em que Onofre faz considerações nada abonadoras sobre o governador. As imagens foram gravadas na casa de Sombra.
O vídeo é mais uma evidência de que, em vez de desmontar os nebulosos esquemas montados em gestões anteriores no governo local, o grupo de Agnelo Queiroz apenas incorporou a estrutura herdada.
A demissão de Onofre de Moraes não deve encerrar a nova crise. Agnelo, que já causou revolta na corporação ao exonerar 51 delegados de uma só vez, corre o risco de enfrentar um novo motim da corporação, que ainda sofre forte influência do grupo político do ex-governador Joaquim Roriz.
Onofre de Moraes havia sido alçado à diretoria da Polícia Civil justamente após as demissões em massa. O policial militar João Dias, pivô do escândalo no Ministério do Esporte, acusa o delegado de ter acobertado um confronto que começou como uma disputa por espaço no governo e quase terminou em tiroteio. O caso foi relatado em um depoimento do soldado à Polícia Militar.
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